Quando a dor vira dom

É impressionante os sinais que o universo nos envia para mostrar o nosso propósito. Quando finalmente percebemos a mensagem, realizamos que os sinais vêm de tão lá de trás...

Tenho uma mãe doente, uma mãe com Alzheimer. Uma doença que me retirou a mãe e lhe retirou a vida que lhe estaria destinada muito cedo, demasiado cedo. A minha mãe foi diagnosticada com Alzheimer aos 63 anos, sem hipótese de curtir a reforma dela como tanto ansiava. Até aos 66 anos foi uma evolução brutal, porque afinal, ela ainda era bastante nova para uma doença destas e a doença não perdoou.

Com o meu pai já num caco, decidimos coloca la num lar. Lembro me até hoje (e acho que vou lembrar sempre) a dor física que me saía do peito. Uma dor que não cabia em mim, gritei tanto já cá fora depois de ter fingido que ia ficar tudo bem.

Desde o internamento da minha mãe, o meu pai foi se afundando aos poucos e quando eu estava pronta para o resgatar, já era tarde de mais... No espaço de um ano fechei empresas abertas sem atividade há mais de 20 anos, vendi terrenos e imóveis abandonados entregues a todo o tipo de problemas, arranjei empregadas para cuidar do meu pai e da casa, fui a médicos, hospitais, urgências, internamentos, operações...

Bati no fundo à séria. Lembro me até hoje de um internamento do meu pai que o médico dele me prepara para o que nós já sabíamos, que o meu pai também teria uma demência.

Não chegava uma mãe que perdi precocemente ainda por cima estando ela viva? Não chegava isso? Pelos vistos não... Ainda não tinha chegado lá.

Tenho até hoje uma receita médica para me tratar. Nunca a usei. Não acreditei que fosse essa a ajuda que precisasse, e até agora estou grata por ter dado ouvidos à minha intuição.

Todo o percurso que tive de fazer entre advogados, contabilistas, médicos, inquilinos, cuidadoras fez me perceber a falta de apoio que há. Eu e as minhas irmãs tivemos de tirar todo um mestrado de assuntos que nem sabíamos que existiam na nossa vida e na vida dos nossos pais.

Sem nos apercebermos, vamos fazendo um percurso que no final tudo se liga. Há um tempo atrás comecei todo um caminho de desenvolvimento pessoal que me fez perceber o meu propósito, e não há descrição da sensação que isso nos dá. Parece que de repente tudo faz sentido, é simplesmente mágico!

Iniciei formação em Personal Organizer e algumas noções de Coaching para me sentir preparada para a minha missão. Com os conhecimentos que vou adquirir quero ajudar as famílias a reorganizarem se quando os seus pilares já não são capazes. Serei capaz de organizar casas, arranjar os melhores profissionais em todo o tipo de questões burocráticas e desta forma fazer como que tudo seja mais suave.

Porque sim, pode ser suave. Basta acreditar.

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